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Capitulo 15 {Moving On}

por sacha hart, em 05.11.13

A mala estava aberta por cima da cama. Kathryn enfiava as suas roupas desajeitadamente, as lágrimas toldavam-lhe a visão. Uma coisa era certa: ia sair daquela casa, nem pensar em partilhar o mesmo tecto que a ordinária da irmã.

Fechou a mala e saiu do quarto sem olhar para trás. Queria parar de chorar mas não conseguia… Pelo menos enquanto chorava não se permitira uma única vez a pensar em Ben nem no que ele estivera a fazer com Ellie.

Kathryn agarrou na jarra avermelhada no preciso momento em que a irmã entrou em casa. Olhando-a superiormente, Ellie ajeitou o vestido mal colocado e afastou o cabelo para trás. Não fazia questão de esconder o quanto o sofrimento da irmã mais nova a deliciava.

- Vais a algum lado Kathy? – Sorriu maliciosamente, fitando a mala de viagem pronta – Que pena, já não nos vamos cruzar de manhã nem jantar como uma família feliz.

- Vai à merda, Ellie. Nunca mais te quero ver. És uma cabra. – Os insultos não feriam minimamente o ego da irmã - Como é que pudeste fazer-me isto!? – Kat fez um esforço para parar de chorar. Agarrou firmemente na jarra, a urna da mãe. O que é que diria Mrs.Dean ao ver as filhas desta maneira?

Ellie deu um passo em frente, olhando-a desafiadoramente – Ele quis. Sabes que não me importo de dar a um homem aquilo que outras não lhe dão. – Estendeu os braços para alcançar a jarra – Não vais a lado nenhum com isso.

Que a irmã não tinha a menor ponta de decência, isso já Kat sabia. Agora fazer-lhe isto? Definitivamente, Ellie era muito pior do que pensava.

As duas agarraram a jarra com unhas e dentes, puxando-a ao mesmo tempo. – Dá-me isso! É minha! Fica comigo – os insultos não foram poupados e então aconteceu. A jarra escorregou das mãos de ambas, indo parar ao meio do chão. As cinzas espalharam-se pelo linóleo, denegrindo ainda mais o ambiente.

Sufocada pelo que que acabara de acontecer, Kat debruçou-se e tentou apanhar o máximo que conseguia. Mas era inútil, a situação era inútil. Era as cinzas da mãe espalhadas pelo chão! A memória de Lynette Dean já estava manchada.

- Nunca te vou perdoar, Ellie. Nunca. – Sem dizer mais nada, Kathryn saiu pela porta, convicta em nunca mais voltar.

Ben acordou sozinho, no quarto. Para além de uma aguda dor de cabeça, havia um misto de confusão e névoa na sua mente. Não fazia a menor ideia do que fizera nas últimas horas.

- A Bela Adormecida acordou – A voz de Liam sou-lhe estridente e irritante. Quando este lhe passou uma aspirina, recebeu-a de bom grado - O que é que se passou contigo ontem? Estavas caído meio morto no meio do parque.

O loiro sentou-se na cama e tentou recordar. Mas nada. A última coisa que se lembrava fazer era despedir-se de Kat. – Não faço a menor ideia. A Kat…era suposto ter passado a noite com ela.

- Lamento informar-te amigo mas não tiveste festa esta noite – Liam riu-se mas parou de o fazer quando viu a expressão do melhor amigo – Vou ser honesto. Estavas em mau estado quando te encontrei. Trouxe-te para aqui, mas não vi a Kat nem sei dela desde a festa.

- Estou com um mau pressentimento, Liam. – Tentando levantar-se, Ben teve de se apoiar no australiano – Tenho de ir ter com ela. Vens comigo?

Deena Bourdon estava pronta a esmurrar alguém se isso aliviasse o sofrimento da melhor amiga. A fúria era imensa depois do curto relato que Kathryn lhe fizera. E ainda se intensificara mais quando viu o loiro a caminhar em direcção a sua casa.

- Eu vou-me a ele, Joe. Ai vou sim! – resmungou para ao marido, pronta a sair de casa. – É preciso ter lata para vir até aqui!

- Querida, acalma-te. – Joe apareceu e barrou a mulher, impedindo-a se sair – Deixa-me ser eu a tratar disto. Se for preciso um par de nódoas negras na carinha do Ben, eu trato disso.

- Mas Joe…

- Mas nada. Fica aqui. – Antes que Dee pudesse dizer alguma coisa, o homem saiu e fechou a porta.  – O que é que estás a fazer aqui, Ben? Joe perguntou, num tom de repreensão.

- A Kat… eu preciso de vê-la.

- Ela não quer ver-te. E é preciso teres lata em apareceres aqui depois do que fizeste.

- Do que eu fiz? – Exclamou o loiro, desorientado – Eu não me lembro de nada, Joe. O que é que eu fiz? – a expressão de Ben já estava aflita, pressentindo que algo de muito errado acontecera.

- O que é que estás a dizer, rapaz? Que não te lembras do servicinho que a Ellie Dean te estava a fazer ontem, quando foram apanhados pela Kat!

Ben estacou, tanto surpreendido como horrorizado – O quê, não… não pode ser. Eu nunca faria isso à Kat!

- Ela viu-te Ben. E não vou mentir, ela não está nada bem e é culpa tua. – Joe Bourdon viu a expressão do loiro, a incredulidade e a incerteza. Caramba, ele conhecia Ben desde que eram crianças e duvidava que ele fosse capaz de trair Kat – É verdade, Ben?

- Eu não faço a mínima ideia, Joe. – admitiu, desmoralizado – Não me lembro de nada.

- Eu encontrei-o desmaiado. Algo se passou. – Liam interviu, pensando numa explicação razoável. – Ben, é possível que tenhas sido drogado?

- O quê? Drogado… - Mas estavam a falar da Ellie. – Estive praticamente o tempo todo com a Kathryn.

- Ellie pode ter posto na tua bebida. Eu vi-a fugazmente na festa. Daquela rapariga nunca vem nada de bom – Concordou Joe.

Sem saber o que pensar, Ben deu um passo em frente – Por favor, Joe. Eu preciso de vê-la. Tu sabes, eu nunca faria nada para a magoar.

- Com ou sem intenção, magoaste-a. Nunca a vi assim. Desculpa, mas não podes entrar. Deves primeiro resolver esta confusão.

- Ele tem razão, Ben– disse Liam, acercando-se do melhor amigo – A melhor coisa que podes fazer agora é uma análise ao sangue. Talvez consigamos uma explicação.

Já sem ouvir os outros dois, Ben olhou pelas janelas, para dentro da casa. Ferir Kathryn era a última coisa que alguma vez faria. E ela estaria ali, algures, a pensar que ele se enrolara com a irmã. Era um pesadelo.

- Tens razão. Vamos. – Com um suspiro derrotado, Ben deu meia-volta e regressou ao carro.

Kathryn estava enroscada numa manta, perto da janela. Deixara de chorar fazia já algumas horas, mas mantivera-se em silêncio, fechada no quarto. A vontade de falar com alguém era pouca, muito pouca. Por outro lado sentia-se fraca ao render-se ao desgosto.

A porta do quarto abriu e Deena entrou, trazendo consigo duas chávenas de café.

- A Caitlin acabou com o gelado e o Joe com os chocolates. Isto não é a mesma coisa mas vai saber bem - disse, estendendo o café à melhor amiga.

Nem mesmo a piada alterou o humor de Kathryn.

- Não estou com disposição para conversas, Dee. Desculpa.

- Eu entendo mas não é por isso que não vais falar comigo. Odeio ver-te assim. - Kat fez sinal para que a amiga parasse de falar, mas nem isso impediu Dee de prosseguir. - Se quiseres arranco as extensões à Ellie, ou dou um murro na carinha laroca do Ben. Se isso te fizer sentir melhor, fá-lo-ei.

- És tão violenta - a mulher morena quase sorriu - Mas não quero nada disso. Não quero saber dele... - Kathryn agarrou na chávena e voltou a fechar-se anteriormente.

Deena suspirou. Não se ia resignar a deixar a melhor amiga neste estado de espírito. Sabia que a morena era dura e forte e ia conseguir enfrentar está desilusão.

Ou pelo menos assim esperava.   

 

Já estavam à espera disto?

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publicado às 20:00

Sacha Hart
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9 comentários

De liz collingwood a 06.11.2013 às 22:36

"off course que not". cenas feias naaaaoooo

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