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Capitulo 4 {Moving On}

por sacha hart, em 27.09.13

Quando era jovem, Ben Lawrence era conhecido como um miúdo giro de Madison. Tinha bastantes amigos, era um rapaz simpático e a sua família era conhecida na pequena cidade. Era considerado um sortudo, invejado por isso. Poucos sabiam a verdade sobre o jovem.

Aos treze anos fora-lhe diagnosticado cancro. Um pesadelo que nenhuma criança devia sentir assombrava-o de dia para dia. Fora um golpe cruel por parte do destino.

Apesar de todos os esforços e tentativas em encontrar uma cura, esse milagre não estava à vista. A família Lawrence recusou-se a cruzar os braços. Contudo Ben fez-se homem cedo, sabendo que não tinha tempo para desperdiçar. Já assimilara aquilo que os pais se recusavam a fazer: sabia que o cancro ia vencê-lo.

A doença enfraquecia-o. E com o tempo só piorava. Mesmo assim o rapaz suportava o seu fardo sozinho, nunca se queixando aos pais nem a ninguém sobre o tormento que era estar a morrer. Por isso sempre parecera normal. Tentou ser um adolescente normal e não deixou que ninguém soubesse da sua doença.

Porém não o conseguiu ocultar da namorada, Kathryn. Amava aquela rapariga com cada fibra do seu ser. Quando se sentia desamparado, era ela que estava lá para ele. Kat fora o centro da sua força, até quando os médicos declararam que não havia nada a fazer. Tinha três meses de vida. Morreria antes de cumprir os dezassete anos.

- Recuso-me a acreditar nisso. Os teus pais vão encontrar outros médicos e vais curar-te… - Ben calara a morena com um beijo.

- Esquece isso. O tempo que me resta contigo é tão mínimo que não pode ser desperdiçado a falar nisto.

A rapariga perdeu-se em lágrimas naquele momento e daquela vez foi Ben quem a amparou e sussurrou palavras carinhosas, apesar de ser ele quem ia morrer.

Na semana que se seguiu passaram todos os momentos juntos. O baile de finalistas fora o último dia que tiveram e Ben quis que ela tivesse a noite que sempre merecera. Na manhã seguinte o rapaz já tinha desaparecido de Madison. Não queria que Kathryn o visse morrer. E ele sentia-se mesmo a morrer depois de a ter abandonado.

Nunca mais se ouvira falar dos Lawrence naquela cidade de Indiana. Aqueles que sabiam da doença do rapaz limitavam-se a rezar pela alma daquele que partira muito cedo e a sentir a sua falta.

Ben

Por um segundo ou dois deixei de respirar. Ela estava à minha frente, a uns meros centímetros de distância. Kath. Estava exactamente como eu me lembrava, porém mais bonita e maravilhosa. Foi o que bastou para fazer o meu coração bater mais depressa.

Até que ela desmaiou e então agi tão rapidamente quanto podia, agarrando-a a tempo. O corpo dela ficou junto ao meu. Mais uma vez, eu amparava-a. Era uma sensação tão avassaladora – tê-la nos meus braços uma vez mais.

- Kathryn, acorda.

Tentei abaná-la um bocadinho mas continuava a não surgir efeito. Deitei-a num dos bancos do jardim e deixei que a cabeça dela pendesse nos meus joelhos. Continuei a chamar por ela e a tocar-lhe nas faces, esperando que acordasse.

Kathryn

A minha mente estava tão baralhada ao ponto de jurar que estava a ouvir a voz de Ben. Era mais grave e firme mas continuava a ser a voz dele. Um arrepio percorreu o meu corpo. Devia ter desatinado de vez com tantas recordações.

- Hum…

Abri lentamente os olhos e tentei lembrar-me onde estava. A única coisa que vi foi um céu estrelado. Até uns olhos azuis-acinzentados entrarem no meu campo de visão juntamente com uma expressão preocupada.

Era apenas mais uma ilusão, uma doce mentira da minha mente.

Então o que é esta mão a afagar as minhas costas? E desde quando é que um banco de jardim é confortável e quente?Ahhh… - gemi baixinho quando tentei sentar-me, o que apenas me deu uma nova tontura. Umas mãos fortes apoiaram-me. Um toque bastante real. Estou a sonhar acordada? Estou louca!

- Kathryn, tem calma.

Respirei fundo e virei-me, encarando um homem com as feições de Ben. Apanhada pelo susto, levantei-me abruptamente um pouco cambaleante. Ele levantou-se logo de seguida, como se estivesse à espera que eu caísse novamente.

- Seja qual fora a brincadeira, não estou a gostar.

Ele fitou-me com um ar confuso. Tentou aproximar-se mas eu recuei.

- Kathryn, sou apenas eu, o Ben. Não te lembras de mim?

- Isto não é possível, tu estás morto – a minha voz soou tremida e abalada. O meu corpo começou a tremer também. Estava a entrar em choque.

- Não estou morto. Não morri.

Como era isso possível? Não, não podia ser. O cancro… o cancro tinha-o domado.

- Se te sentares, posso explicar-te com calma.

Abanei a cabeça. Precisava de ter a certeza que este não era um truque da minha mente. Observei-o atentamente. Era um homem alto e corpulento. O cabelo era loiro-escuro e despenteado, a pele bronzeada e marcada por algumas sardas. E os olhos… eram olhos azuis-acinzentados. Tinha um rosto que certamente todas as mulheres acham atraente. Era uma versão adulta e máscula do rapaz por quem eu me apaixonara há anos atrás.

Senti uma vontade súbita de chorar. Aproximei-me dele e mirei-o de perto. Ele estava a olhar directamente para mim. Quase estendi a minha mão para lhe tocar no rosto. Quase.

- Durante estes anos todos pensei que estavas morto – agora começava a ganhar uma raiva reprimida durante dezasseis anos – Estavas vivo e nunca pensaste em contactar-me!? Dizeres pelo menos que sobreviveste!?

- É complicado, Kat…

Ele tentou alcançar-me com a mão mas afastei-a bruscamente. Estava a sentir um misto de emoções tão fortes e avassaladoras.

- A porcaria de um telefonema não é complicado! Podias ter ligado, mandado uma carta, passar a mensagem… Mas nada. Eu pensei que estavas morto. Morto!

Desta vez as minhas mãos começaram a tremer violentamente. Tinha lágrimas prestes a cair e deixei que os velhos ressentimentos emergissem e me dominassem.

- És um idiota, Ben!

Virei costas e corri dali para fora.

Kathryn estava deitada na cama, enroscada a imensas almofadas. Não se conseguia acalmar nem pensar direito. Havia tantas coisas a passarem-se na sua mente e tantos sentimentos a emergirem atabalhoadamente.

O Ben está vivo.

Era difícil de acreditar que o vira em carne e osso. Assimilar que ele não morrera? Ela passara meses na esperança de receber um telefonema, algo, qualquer coisa a informar que afinal o seu namorado não tinha apenas três meses de vida.

E agora ele aparecia assim sem mais nem menos?

Nem sabia o quanto a fizera sofrer.

- Maldito.

Restava saber o que ia fazer agora. Por agora Kat limitou-se a aninhar-se a si própria e começou a chorar. Começou alto e rápido até passarem apenas a ser lágrimas silenciosas. Sentia-se sozinha e indefesa, tal como há dezasseis anos atrás. Não sabia o que fazer, estava à deriva.

Então por agora ignoraria tudo, faria de conta que nada tinha acontecido. Se havia alguém especialista em enterrar memórias, grandes ou pequenas, era ela. Esta seria apenas mais uma. Tudo o que Kat sabia era que não queria voltar a sofrer. Nunca mais. 

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15 comentários

De DS. a 27.09.2013 às 21:43

ben está vivo :) ainda bem :) mas estou curiosa para saber como sobreviveu :) fico á espera

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