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Perdido & Encontrado

por sacha hart, em 18.07.14

 

 

Aqui fica o prometido. É uma oneshot  e espero realmente que gostem e não se desiludam pela direção que decidi tomar ao escrevê-la. Boa leitura ^^

 

 

Marielle acordou bem disposta, não fosse sentir o masculino corpo definido atrás de si, abraçando-a firmemente como tinha feito a noite toda. A rapariga sorriu e suspirou de satisfação ao lembrar-se da noite anterior. Tinha sido selvagem, ousada e fantástica. O melhor sexo da sua vida…. Melhor dizendo, o melhor sexo nos últimos quatro anos da sua vida.

- Marcus… - Ela remexeu-se nos braços dele, fazendo-o despertar. Acordado, Marcus soltou-a um pouco do abraço o que permitiu a Marielle virar-se e encará-lo - Bom-dia.

Ele sorriu-lhe levemente, ainda muito ensonado. Assim feito, teve de ser ela a inclinar-se para o beijo. Aí ele pareceu despertar mais um bocadinho, voltando a agarrá-la contra ele, impulsionando o beijo para mais do que uma saudação matinal.

- Bom-dia, Mare.

Marielle encolheu-se ao ouvir a alcunha que ele lhe dera. O seu coração palpitava sempre que ele o dizia e a sensação de que Mare era tão especial, para ele e para ela, alastrava-se como um balsamo quente. Ela não fazia ideia do porquê de ser tão bom, mas era-o e ela não se lembrava de ser mais feliz desde que o conhecera.

- Fazes o pequeno-almoço? - Inquiriu, olhando-o de beicinho - Estou capaz de comer dez daquelas panquecas maravilhosas que fazes.

- Estás, por acaso, a aliciar-me a fazer-te o pequeno-almoço?

- Talvez - Respondeu ela com um sorriso matreiro - É que, sabes… - Passou a mão pelo peito desnudado dele - Gastei imensa energia na última noite e preciso de a recuperar.

- Ai sim? - Provocou ele - E como é que gastaste tanta energia?

As faces dela coraram ao relembrar a noite passada, os corpo unidos entre os lençóis. O rubor da sua face não escapou a Marcus, que se deliciou com o tom rosado. Como que para a incentivar a falar - ou talvez não - ele passou a mão dele pelo seio dela, atiçando-a. Marielle estremeceu e precisou de respirar fundo para se concentrar novamente.

- Um certo hombre não me deixou parar.

- Deve ser um homem muito eficaz para drenar toda a tua energia.

- Uh, ele não é mau de todo.

Um brilho malicioso acentuou os lábios carnudos e sensuais de Marcus. Aquele homem exalava erotismo por todos os poros. Desde o corpo definido ao rosto duro, ele era um pecaminoso mistério para todas as mulheres. Sortuda era Marielle, uma mulher franzina e de aparência bastante comum. Ela ainda não compreendia como é que conseguira seduzir um homem tão brutal como Marcus - se bem que fora ele quem a seduzira. Só que não era apenas isso, pensou ela, Marcus era muito mais do que um homem bonito, mais do que um amante, ele parecia ter uma chave para a alma dela. O que era assustador, desconcertante e arrebatador ao mesmo tempo.

- Mau de todo?

- Nada mau.

A resposta não o convenceu e Marcus teve a necessidade de lhe mostrar novamente o quanto nada mau ele era, até que ela se afastou e saiu da cama com um sorriso diabólico nos lábios. Aquilo funcionava como tortura para ele e Marcus desconfiava que ela sabia-o.

- Volta para aqui - Pediu ele, num tom rouco e sedutor.

Marielle abanou a cabeça - Panquecas.

- Depois.

- Não, preciso de energia para a ronda dois. A ronda matinal. - E dito isto, Marielle fechou-se na casa de banho.

Grunhindo, Marcus apercebeu-se que não tinha escolha senão ir fazer o raio das panquecas. Neste momento, eram o seu bilhete para o paraíso.

 

Ela fazia de propósito. Demorou quinze minutos a tomar banho, outros dez a pentear-se e depois finalmente saiu, usando apenas uma lingerie azul, transparente e sexy. Marcus ia ficar louco, se é que já não estava. Ela fora mázinha em deixá-lo pendurado quando ele na cama já mostrava sinais de precisar dela. Ao invés de se deixar ir, já que também ela estava mais necessitada do que devia, preferiu picá-lo um bocadinho antes de o deixar apoderar-se de si.

Com um plano sedutor em mente, a mulher foi até ao armário dele e procurou uma das t-shirts largueironas dele, daquelas que lhe chegavam um pouco acima dos joelhos. Queria manter o mistério da sua lingerie provocadora, por enquanto.

As t-shirts estavam na prateleira mais alta e ela, como baixinha que era, teve alguma dificuldade em lá chegar graciosamente. Saltou e tentou puxar alguma das t-shirts. Praguejou quando um monte delas caiu para cima de si mesma, trazendo atrás uma caixa que aterrou mesmo na sua cabeça.

- Autch - Esfregou a nuca e queixou-se baixinho pela confusão que causara - Porquê que ele é tão alto?

Suspirando, agarrou rapidamente nas t-shirts e pousou-as numa prateleira mais baixa. Ficou apenas com uma. Ia a vesti-la quando reparou na caixa aberta no chão. Só lhe faltava mais isso. Ajoelhou-se para apanhar as coisas caídas e surpreendeu-se por serem apenas fotografias. Curiosa, não conseguiu não olhar.

Se ao menos não tivesse olhado.

Fotografias dela: sorrisos dela, olhares dela, caretas dela, nudez dela! As fotografias embaraçaram-na tanto quanto a chocaram e baralharam. Onde tinha ele arranjado aquilo?! Furiosa, saiu quarto fora, decidida a entender porque raio tinha o seu amante fotografias da adolescência dela. E como. E para quê. E que espécie de homem era o sedutor Marcus que a arrebatava, dentro e fora da cama.

 

 

Marcus esperava impacientemente na cozinha. A sua vontade era voltar para o quarto, tomar Marielle nos braços e deitá-la na sua cama. O desejo era tão violento que ele ponderava sériamente na ideia. Marielle não fazia a miníma ideia de como o deixava louco.

Ele estava à mercê dela. Não só de corpo mas também de alma.

A constatação era tão simples como isso, e no entanto tão complicada. Como se diz a uma mulher que a ama? Era um dilema pelo qual ele já passara e ela voltava a colocá-lo nessa posição. Tantas vezes as palavras quase tinham brotado dos seus lábios, mas o momento nunca fora o certo.

Na passada noite, juntos pela primeira vez em muito tempo, ele quase o dissera só que ela adormecera.

- MARCUS! - O tom dela alertou-o porque: A) Marielle nunca usava aquele tom; B) Ela nunca lhe gritara daquela forma. Algo lhe dizia que alguma coisa errada se passava, embora ele não conseguisse imaginar o quê.

Marielle apareceu na cozinha usando apenas uma lingerie transparente. As diminutas peças realçavam a cor morena da pele dela e as curvas graciosas do seu corpo. A erecção foi imediata e tudo o que ele queria era puxá-la para si.

Alguma coisa se passava. Pois, isso impedia-o.

Para além de quase nua e irresistivelmente bela, Mariella olhava-o de uma forma nada aprazível. Quase sentia aquele olhar perfurá-lo, furioso e inquisitivo. Provocou-lhe uma sensação estranha na pele, uma espécie de arrepio.

- O que é que eu fiz? - Pois sabia que aquela expressão significava que ele é que fizera alguma coisa. A culpa é sempre dos homens, as mulheres pensavam assim. - As panquecas estão na mesa - Tentou ele aligeirar o ambiente mas foi inútil.

- Quem és tu? - Perguntou ela, ou melhor, quase exigiu.

- O que é que estás para aí a dizer?

- Não me mintas mais, Marcus. Encontrei isto no teu quarto.

Tudo começou a fazer sentido quando as fotografias pararam na mesa, depois de atiradas por ela. Oh não. Não era suposto ela ter encontrado aquilo. O que fazia ele agora?

- Não é nada do que estás a pensar - Apressou-se a dizer - Eu posso explicar.

- Então começa.

Ele podia explicar. Só não queria explicar.

Marcus estava nervosa. Marielle soube-o nitidamente, já conhecedora de todas as expressões dele. Em tão pouco tempo juntos, ela já reconhecia as facetas dele, os seus tiques nervosos, entendia quando ele estava de bom humor e quando estava  carrancudo. Sabia tantas coisas e ao mesmo tempo não sabia nada, pois temia ter à sua frente um homem que era um estranho e, honestamente, tinha medo de saber quem ele era.

- Essas fotografias são minhas. Foste tu que mas deste.

Uma risada nervosa saiu-lhe - Creio que me lembraria se tas tivesse dado.

- Não, não te lembras.

A boca de Marielle alongou-se num “O” quase perfeito. Sem que fossem precisas palavras, ela percebeu. Ainda assim Marcus fez questão de continuar.

- Não te lembras de mim, Mare. Desde há quatro anos atrás que não te lembras sequer do nosso primeiro beijo, ou como nos conhecemos, ou onde te levei no nosso primeiro encontro.

À luz da sua memória, Marcus era apenas um tipo que conhecera há três meses em Seattle. Claro, não um tipo qualquer, pois ele conquistara-a na primeira noite em que lhe pusera os olhos em cima e desde então que era dele. Seria possível? Seria possível que já estivessem estado juntos, apaixonados, e ela não se recordasse? A possibilidade sufocou-a de agonia.

Marcus não desejava mesmo ter esta conversa. Tinha-a adiado vezes sem conta e não era de todo desta forma que imaginara tê-la, apesar de saber que mais dia menos dia Marielle ia descobrir.

- Então eu conhecia-te antes do… - Ela não conseguia dizer as palavras por isso ele completou por ela.

- Antes do teu acidente, sim.

Um soluço involuntário escapou-se à mulher. Marielle tinha vinte anos quando nas férias de ski, no Canadá, caíra violentamente e embatera contra uma pedra. Só recuperou os sentidos três dias mais tarde, depois de um coma induzido. Os médicos estavam surpreendidos pela sua recuperação sem sequelas… até descobrirem que ela tinha perdido memória parcial. Marielle lembrava-se dos pais, das irmãs e até das suas memórias de crianças. Em contrapartida esquecera-se de quem era a sua amada cadela Laila, ou quem eram os primos com quem tinha ido de viagem, e esquecido o seu baile de formatura. Ao longo do tempo pedaços de memória perdida tinham voltado, mas não compensavam os buracos que Marielle sentia ter perdido e que nunca seriam preenchidos, como se fragmentos da sua vida tivessem sido apagados para sempre. Marcus era um deles. Oh porquê?!

Ainda sem ela se ter pronunciado, Marcus sabia a pergunta que vinha aí.

- Porquê que não vieste ter comigo depois do acidente? Contavas-me quem eras. - Ela estava tão confusa e ainda a tentar assimilar tudo - O que éramos «nós»?

- É melhor sentares-te.

- Não me sento nada. Responde-me! - Apesar de abalada, Marielle não abrandou.

- Está bem - Marcus suspirou e então olhou-a - Éramos apenas amigos, ou se calhar nem isso… Na altura do teu acidente estávamos separados há umas semanas, mas antes tínhamos namorado um ano. Eu apanhei o primeiro avião para o Canadá quando soube. Sabes o que é que aconteceu? Estavas a passar no corredor, para ires para um exame qualquer. Passaste por mim e nem me reconheceste - A voz dele tornou-se um pouco mais rouca ao relembrar-se daquele dia - Quando falei com os teus pais, disseram-me o que se passava. Nem conseguia acreditar. Os médicos disseram que melhor era poupar-te a emoções fortes. O teu pai foi bem claro, eu não podia voltar a entrar na tua vida. De qualquer das maneiras ele nunca foi muito com a minha cara.

Marielle estava sem palavras. O maldito acidente custara-lhe imensas coisas. Saber que perdera Marcus era de mais.

Por isso, sem sequer dar por isso, lágrimas começaram a rolar. Começou a tremer involuntariamente, danada pelo destino, danada por o ter esquecido, danada por ele não não ter voltado para ela porque ela amava-o tanto agora, e agora entendia porquê que da primeira vez que o via já sentia que o amava. O seu coração reconhecia-o, as suas memórias é que não.

- Alguma vez me ias contar isto? - Como ele se demorou a responder, ela continuou, fungando primeiro por causa das lágrimas. - Disseste que estávamos separados antes do acidente. Porquê, Marcus, porquê?

Marcus quebrou a distância que havia entre eles. Embalou-a nos seus seus braços, tentou acalmá-la. Demorou vários minutos até conseguir fazê-la parar de tremer. Podia sentir as lágrimas quentes contra o seu peito, ela não o fitava directamente. Ele continuava sem responder, reparou ela, mesmo assim mantendo-se junto ao corpo de Marcus.

Ela encaixava tão bem com ele.Foi então que ele soube. Tinha de o dizer.

- Eu amo-te, Marielle.

Isso fê-la encará-lo. As lágrimas pararam e ele limpou as que restavam com os seus polegares.

- Foi por isso que acabámos. Ou melhor, tu acabaste comigo. Nunca te tinha dito que te amava e de certa forma isso deixou-te insegura. Nunca o disse não porque não te amasse, apenas queria assegurar-me de que, quando o dissesse, não seria da boca para fora mas no momento mais oportuno.

O silêncio dela começou a deixá-lo um pouco nervoso.

- Amo-te desde sempre.

A resposta de Marielle não veio por palavras. Pondo-se de bicos de pés, ela abriu os lábios num ténue sorriso bonito. A distancia entre os lábios de ambos foi diminuindo até por fim colidirem. Primeiro devagar, depois mais demorado, mais intenso, como se fosse o primeiro beijo que partilhavam. Era um toque carregado de sentimentos. Quando por fim afastaram os lábios um do outro, já estavam deitados na cama dele, sem fôlego.

Marielle, estando por cima, olhou-o demoradamente. A mulher estava a sentir um misto de emoções avassaladoras e ainda ia demorar algum tempo a ajustar-se a tudo o que ficara a saber, mas por agora ia apenas desfrutar do momento com o amor da sua vida.

- Marcus, eu amo-te.

Os olhos dele brilharam, tal como os dela cintilavam.

Apesar o tempo perdido, nunca se tinham deixado de amar. Tanto Marcus como Marielle sabiam disso.

- E perdoou-te por não mo teres dito antes - brincou ela - Agora vais precisar de muito para me compensar.

- Ai sim? - As mãos dele começaram logo a explorar pelo corpo dela - Precisas de comer panquecas? Já devem estar frias mas se calhar precises delas para recuperares energia…

- Não vou precisar - Interrompeu-o - Porque tudo o que eu preciso está aqui comigo.

Novamente sorrindo, Marielle juntou os lábios aos dele até rebolarem novamente na cama.

Desta vez, Marcus certificou-se que não ficava mais nada por dizer (nem fazer.)

 

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10 comentários

De Mag a 22.07.2014 às 00:39

Adoreeei! Está tão adorável! *:*

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