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{Oneshot} Above Love

por sacha hart, em 02.03.14

Above Love

 

- Tu és a razão pela qual ele se foi embora. Por isso vai encontrá-lo.

Ela achou que, tão depressa quanto as palavras entraram, também saíram. Estava errada. Eu ouvira-a bem. Apenas resolvera fingir que não o fizera. - Encontrá-lo para quê? Não quero saber. Não é problema meu.

- Sabes, pela primeira vez na vida, faz disto um problema teu. – Gritou impacientemente, no limiar do nervosismo. Lágrimas brilhavam nos seus olhos mas ela aguentou-as. – O meu irmão amava-te.

Aquele foi o meu limite. Levantei-me e desviei o olhar dela. Os olhos azuis cristalinos eram demais para mim, uma recordação da pessoa que partilhava os genes com ela. Ele.

- Já te disse que não quero saber! – Ripostei friamente.

Em passos apressados, saí dali. Não queria ver ninguém, nem que alguém me visse. Escondi-me num beco, encostando-me à parede. Fechei os olhos com força depois de sentir a força das lágrimas invadir-me. Ele foi-se embora. E por minha culpa. Por muito que dissesse que não me importava, mentia. Claro que me importava, e era um problema meu. Ethan era a pessoa que mais amava neste mundo, a única. Estragara tudo com ele.

 

 

Duas semanas antes

 

- Estou farto de me esconder. Farto de fingir que não te conheço!

A discussão era a mesma de sempre. Começávamos depois dos beijos e caricias, quando nos dávamos conta de quão desconfortável era estarmos escondidos dentro do carro. Depois discutíamos até chamarmos nomes um ao outro. Então arrependíamos-mos e voltávamos a beijar-nos. As nossas discussões terminavam sempre com sexo de reconciliação.

Desta vez foi diferente. Ethan saiu disparado do carro e esmurrou o vidro. Vi a mancha escarlate manchar a superfície transparente e saí de imediato. Aproximei-me dele e cobri a sua mão com a minha.

- Estás bem? Mas que loucura foi esta?! – Questionei, tremendo só de pensar que ele estivesse tão furioso comigo ao ponto de se magoar desta forma.

Ethan afastou a minha mão e olhou-me. Aquilo que vi transparecer no seu olhar assustou-me. Era dor e mágoa. Por mim.

- Não estou bem. Amo-te tanto, Taylor. Tanto! – A maneira de como ele o disse não era necessariamente boa – Mas não estou feliz. Isto não é suficiente para mim. Quero andar de mãos dadas contigo na rua. Poder beijar-te quando quiser, sem me importar que as pessoas vejam. Quero gritar que te amo para toda a gente ouvir. Quero que te deixes de importar com o que os outros pensam, de fingir que te sou insignificante. Quero, sobretudo, acabar com esta merda de foder no banco de trás do carro porque não me queres em tua casa!

Nunca, em altura alguma, ele tinha sido são bruto nas palavras. Nem tão verdadeiro e honesto. E claro, Ethan tinha razão. Vivíamos numa relação secreta, idiotamente escondida.

- Tens vergonha de mim. Vergonha de nós.

- Sabes que não é isso, Ethan! – Retorqui, voltando a encará-lo – Amo-te muito, meu querido, mas as coisas não são assim tão fáceis e tu sabes-o.

- O tanas! Se te importasses realmente, assumias a nossa relação. Só que tens medo do que as pessoas vão pensar se te virem comigo. Tens vergonha de mim – Repetiu, mordendo o lábio. Sangue brotou instantaneamente.

Acabei com a distância entre nós e beijei-o. Envolvi o seu rosto nas minhas mãos enquanto sentia o sabor metálico do sangue na minha boca. Não me importava, era dele e queria a sua dor fazer desaparecer. Queria compensá-lo.

- Dá-me mais tempo – pedi. A minha testa estava encostada à dele. Ambos tínhamos os olhos fechados – Por favor.

- Estou farto. Já me pediste demasiado tempo, Tay – murmurou, naquilo que pareceu um lamento.

Ethan afastou-se de mim. Desta vez a distância era mais do que um metro, muito mais significativa do que isso. Parecia que ele se estava a afastar de mim, a despedir-se da nossa relação. O temor que isso me provocou deixou-me apavorado.

Sem me dizer mais nada, ele deu meia volta e afastou-se a largos passos. Ainda levava a camisa desabotoada e os jeans descaídos. A cada passada que ele dava, mais longe de mim, era um golpe numa ferida aberta que começara há poucos minutos.

- Não vás! – Pedi gritando. Mas ele continuou.

Até o perder de vista.

 

Os dias passaram-se e não havia novidades de Ethan. Era como se ele tivesse desaparecido da face da terra, sem deixar rasto. Os meus dias eram insuportáveis sem ele e as minhas noites passadas em branco quando sonhava com ele, o seu corpo junto ao meu, os lábios a beijarem-me.

A sua ausência era um tormento. E era tudo culpa minha…

- Onde é que vais? – Perguntou a minha mãe, quando me viu pegar nas chaves de casa – Está quase na hora de jantar, os Smith vêm cá com a Danielle.

Olhei para a minha mãe, aquela bela mulher ruiva que me dera à luz sem imaginar no desapontamento da pessoa que eu saíra.  Tentei não morder o lábio, o que geralmente fazia quando estava nervoso.

- Tenho de ir. É urgente.

- Taylor, não vais a lado nenhum – Resmungou, com uma cara insatisfeita – Larga as chaves e vai vestir algo melhor do que essa camisa. Estou a mandar-te.

Cerrei os punhos e mantive-me ali – Não, mamã. Desculpa. Tenho mesmo de ir – Abri a porta e saí de casa, mas não sem antes ver o ar decepcionado da minha mãe.

A verdade é que, quando saí de casa, não fazia ideia para onde ir. Contudo estava convicto de não regressar sem antes garantir que sabia onde estava Ethan, ou se ele estava bem. Em breves minutos resumi na minha mente os possíveis sítios onde ele pudesse estar. Apressei o passo e à medida que ia anoitecendo, também a minha busca se arrastava.

- Ethan! – Gritei, quando cheguei ao descampado onde costumávamos estacionar o carro. O sítio era decrépito e abandonado. Como pudera trazê-lo para ali tantas vezes? Ele merecia muito mais do que eu, muito mais. – Ethan!

Caminhei sobre a terra batida, pouco me importando com o pó que sujava as minhas calças. Noutra altura ter-me-ia importado mas agora a única coisa que tinha em mente era encontrar Ethan e fazê-lo regressar. Se é que ele estava algures por ali.

Foi então que comecei a ouvir os acordes de uma guitarra. Eram ténues mas segui o rasto até me deparar com a pick-up dele. No tejadilho, sentado e de olhos fechados, lá estava ele. Nunca antes me parecera tão bonito como daquela forma, iluminado pelo luar que acentuava os contornos da sua cara e o tornava em algo belo e maravilhoso, como um deus.

- Ethan! – Exclamei e trepei a carrinha até me sentar ao lado dele.

- Vai-te embora – pediu, ainda de olhos fechados.

- Só vou embora se vieres comigo.

- Isso nunca vai acontecer, não é? – A sua voz tinha um tom amargo – Quê, vamos de mãos dadas até ao fim desde descampado e depois viras costas como se eu fosse um qualquer? Ou então vamos pelos atalhos escondidos, para que ninguém te veja comigo.

- Não Ethan…

Ele cortou-me a palavra – Sim. É isto que acontece em todas as vezes. Estou farto de me sujeitar a isso – Finalmente abriu os olhos e olhou para mim – Que porra, é difícil amar-te. É difícil estar contigo. O amor não deveria ser assim.

Lágrimas vieram ao encontro dos meus olhos. Contive-as até que a sua mão segurou a minha cara. O toque dele desabou quaisquer barreiras que até então mantivera erguidas e sólidas.

- Perdoa-me – Pedi, desesperado – Faço-te sofrer. Sou egoísta. Este tempo todo pensavas que tinha vergonha de ti mas estás enganado. Tenho vergonha de mim. Estou com um tipo maravilhoso como tu e escondo-te, para me esconder a mim – As lágrimas caíram sem cessar. – Será que me podes perdoar?

- Se te perdoar, mudarás?

Hesitei por momentos. Sabia o peso das palavras que ele proferia. Era tudo tão complicado mas sim, mudaria por ele, por nós. Alcancei os seus lábios e transmiti pelo meu beijo tudo aquilo que faria por ele.

Desta vez não houve sexo de reconciliação. Houve amor.

 

Já era tarde quando regressámos para a cidade. Ethan estacionou a carrinha à frente da minha casa. Então observou-me. Reparou em como os nós dos meus dedos estavam brancos, em como eu suava irregularmente, na velocidade da minha respiração.

- Se quiseres não tens de fazer isto hoje.

- Tenho sim – Suspirei e saí do carro. Olhei para ele – Vens?

Ele não disse nada e saiu da carrinha. Pôs-se a meu lado mas não me tocou, talvez porque a isso estava habituado. Agora as coisas tinham mudado. Entrelacei os dedos da minha mão na dele e segui em frente.

Abri a porta de casa e convidei-o a entrar, como tantas vezes imaginara.

Os meus pais estavam à minha espera. Mas não à espera de Ethan. O casal dos Smith e a filha deles, Danielle, olharam chocados enquanto se apercebiam do que aqui se passava. Os meus pais não caíam em si de choque.

- Mamã, papá, este é o Ethan… - olhei para eles – O amor da minha vida.

Nada poderá alguma vez descrever aquilo que vi no olhar dos meus pais. Era mais do que desapontamento ou decepção. Era tanta coisa misturada e nada de bom. A minha mãe começou a chorar, o meu pai cerrou os punhos. Os Smith pediram licença, indignados pela situação em que eu tinha metido a filha deles – não, amiga Danielle, nunca poderia ser teu namorado.

Ethan permaneceu a meu lado. Apertou a minha mão e murmurou palavras de força. Assim dois homens apaixonados ficavam unidos naquele que viria a ser um dos momentos mais avassaladores da nossa relação. O momento da mudança.

Deixei os meus pais naquela sala de estar. Eu próprio estava a tremer e à beira das lágrimas. Mas sentia-me aliviado, sentia-me eu mesmo.

- Hey, pára – A mão de Ethan no meu braço parou-me – Olha para mim – Assim o fiz – Podes chorar, se quiseres. Estou aqui para ti.

Quando ele me abraçou soube que o mundo não ia desabar como parecia. Soube que era amado, que tinha aquele homem fantástico para mim e que isso sobrepunha-se a qualquer receio que eu tivesse. Agora era assumido. Era dele, sem vergonhas.

- Espero que saibas o quanto de amo.

- Acredita que sei, Taylor. Hoje mais do que em qualquer outra altura.

Ergui o meu rosto e aproximei-me. Rocei os meus lábios nos dele, até que por fim adensámos o clima num beijo etéreo e intenso. Um beijo que significava tanto. Para sempre.

 

 

Espero que tenham gostado! 
(peço desculpa por qualquer erro, ainda não revi)

 

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14 comentários

De Ynis a 02.03.2014 às 18:05

claro, estou cá para isso.. u-u
é né.. finalmente, escreveste algo prestável muahahahaah sua defs.. muahahahahah

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