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Capítulo 9 {Her Bodyguard}

por sacha hart, em 22.11.14

 

 

A equipa de Pearl estava reunida na sala da mansão. Discutia-se o evento da Summergate. Era naquela noite. Havia muito para combinar, pormenores a acertar. Ia haver muita exposição e era preciso assegurar o triunfo da cantora

De entre as seis pessoas ali presentes, havia uma irremediavelmente vestida de preto. Encontrava-se sentada na mesa, embora afastada dos temas de conversa que não envolvessem a segurança da cantora. Sam encontrava-se mais silencioso do que nunca. Um mau pressentimento envolvera-o desde o momento em que acordara.

A intuição revelou-se correta quando a meio da reunião o seu telemóvel tocou. No ecrã mostrava um indicativo que Sam não esperava ver. +351, o indicativo português.

- Peço desculpa – Sem dizer mais nada, levantou-se e saiu para o jardim interior onde sabia que tinha privacidade – “Ivan”.

“ É a mãe, Sam. “

O irmão não precisou de dizer mais nada, já o coração de Samuel lhe caía aos pés. Demorou o seu tempo até perguntar ao irmão o que tinha acontecido com a mãe de ambos.

“ Está no hospital. Teve o início de um ataque. Ainda bem que o pai e o Santiago chegaram a tempo de a levar de imediato, se não… “ A hipótese era demasiado dolorosa para ser dita em voz alta. “ Os médicos declararam-na fora de perigo. Dizem que se ela duplicar com a medicação consegue mais tempo, ainda a podemos levar a França.”

Essa era a esperança da família desde que há quatro anos quando Adelaide Sousa-Levitt fora diagnosticado uma malformação no pericárdio. A mãe arranjara forma de sobreviver apesar das dores e dos internamentos. Era uma guerreira, uma mulher cheia de força. A cura existia, mas para alcançá-la era preciso levarem-na até Paris e conseguirem suportar os custos de um tratamento experimental. O preço era tão elevado, fora da capacidade dos Levitt, que mesmo assim não desistiam nem perdiam a esperança.

Foi pela mãe que Sam veio para os Estados Unidos. Ali o salário era garantido e superior ao que podia ganhar em Portugal. Pela mesma razão aceitou trabalhar como guarda-costas de Pearl, a cantora, mesmo quando não o desejava. Ali ganhava o dobro e a maioria enviava de imediato para a família.

“ Como é que ela está? ”

“ Um pouco abalada, mas sorri. Sabes como ela é.”

“ Teimosa como é aposto que já quer sair do hospital. Diz-lhe que tenho saudades dela…”

A voz dele quebrou quando do outro lado da linha Adelaide Levitt o interrompeu. “ Também tenho saudades tuas, meu filho. ” Os olhos de Sam ficaram brilhantes pelas lágrimas. “Não te preocupes comigo, eu estou bem. Tão cedo não te vês livre da tua velhota.”

“ Nem brinques com isso, mãe. É a segunda vez que és internada este mês.”

“ Mas continuou a respirar, não é?” Replicou de imediato “Não gosto que estejas tão longe, Samuel, nem que te mates em trabalho aí na América por minha causa.” Sam ia interrompe-la, mas a mãe prosseguiu “ Volta para casa, meu querido. Nós cá nos arranjamos.”

“ Tu sabes que eu estaria aí se pudesse. Tenho muitas saudades. Só que aqui economizo muito mais do que aí. Neste momento isso é mais importante para todos.”

Adelaide suspirou. “Quando vais aprender a esquecer o dinheiro? O mais importante é a família, é estares com as pessoas que gostam de ti, que te amam. É estar perto das pessoa que tu amas.” A imagem de Dakota apareceu na mente dele “Isso é estar em casa, meu anjo.”

“ Eu sei, mãe. Eu voltarei um dia, quando te conseguir pôr boa.”

“ És tão teimoso, Samuel Tomás!”

“ Advinha de quem herdei isso…”

Mesmo não vendo a mãe, Sam apercebeu-se que ela sorria debilmente. Sentiu-se bem ao saber que ela sorria. Adelaide Levitt era o mundo para ele e para os irmãos. A mãe era o pilar da família. Sentia terríveis saudades dela, do pai, dos irmãos, dos amigos de Portugal. Sentia saudades de casa, do seu país. Saudades de tudo. Há quatro anos que trabalhava na América e voltara a Portugal somente uma vez numa visita que lhe parecera demasiado curta. A sua vida era lá, a América nunca seria a sua casa.

“ És um homem bom, Samuel. Tenho orgulho em ti. Amo-te muito. Nunca te esqueças disso.”

Quando a chamada terminou uma lágrima solitária caiu pela face dele. Depois do susto enorme que apanhara com esta chamada a sua maior vontade era poder estar lá e apoiar a sua família, arranjar uma maneira de curar a mãe.

- Está tudo bem? – Dakota apareceu, surpreendendo-o com a sua voz melódica. Olhou-o com preocupação.

- Sim – Respondeu o guarda-costas no mesmo instante, reprimindo as lágrimas.

- Estás a mentir-me – Como Sam não lhe respondeu, Dakota continuou – A reunião acabou. Mandei-os embora. Podemos sentar-nos ali e falar? – Sugeriu calmamente, apontando para o sofá de jardim.

Sam surpreendeu-se a si próprio ao sentar-se lá. Dakota colocou-se ao lado dele. A proximidade era muita, mas desta vez o guarda-costas não se importou. Estava num daqueles momentos em que o mundo dá um abanão tão forte que nos deixa desorientados.

- Então, vais contar-me o que realmente se passa?

Por norma, Sam nunca o faria. Era sua regra nunca misturar a sua vida pessoal com o trabalho. Ao desabafar com Dakota estava a fazer completamente o oposto. No entanto fê-lo. Começou por falar da doença da mãe, do susto que apanhara, das saudades da família. Dakota ouviu-o, deixou-o terminar.

“ Vai ficar tudo bem.” Murmurou ao ouvido dele, abraçando-o de seguida.

Sam não sabia o que o espantava mais. Se o facto de ela ter falado em português, ou o agradável conforto do abraço dela. Simplesmente deixou-se aproveitar.

- Devias tirar o dia. Posso bem ir sozinha ao evento da Summergate.

- Não me parece.

- Então não vou. Também não é assim tão importante. Acho que podemos beneficiar os dois de uma folga.

A perplexidade dele fê-lo entender que ao seu lado via uma Dakota diferente do normal. Ali estava uma rapariga preocupada e atenciosa que lhe estendia uma mão amiga mesmo não tendo de o fazer. O gesto dela aqueceu-lhe o coração. Dakota era incrível.

- Não é preciso uma folga. Vais estar naquele evento e eu estarei lá para garantir a tua segurança, é o meu dever.

- Nunca tiras isso da cabeça, pois não?

Os lábios de Sam arquearam-se num sorriso. – Nunca.

 

 

Após a longa conversa com Dakota, as emoções revoltas pareceram acalmar para o guarda-costas. No entanto foi sorte de pouca dura. Naquele preciso momento Sam sentia-se quase no seu pior ao ver as mãos de Khris Johnson, aquele galã presunçoso, em cima de Dakota.

Os dois caminhavam pela passadeira vermelha e atraíam a atenção dos inúmeros fotógrafos. Podia ser pelo facto de Dakota estar absolutamente deslumbrante num vestido verde que lhe realçava os olhos e as curvas (sim, ele reparara). Contudo ele sabia que tanta atenção e mediatismo devia-se também ao homem que a acompanhava e estava agora a posar junto dela, demasiado próximo para o gosto do guarda-costas.

Sam, tenso e de punhos cerrados, observava o desenrolar sem nada poder fazer, e a tentar convencer-se que não sentia ciúmes absolutamente nenhuns de Khris Johnson…

 

- Maravilha! Pearl! Khris! Ohhhh! Um exclusivo, dê-nos um exclusivo! Beijo!

Era normal para um evento como a Gala Anual da Summergate haver tanto rebuliço, tantos fotógrafos, tantas câmaras a transmitir em direto, tantos fãns extasiados nas laterais da passadeira vermelha.

Dakota apreciava a atenção que recebia e retribuía como sorrisos. Desta vez partilhava-a com Khris. Não ia negar que ele era lindo, faziam um belo par, era verdade, mas não havia nada de genuíno entre eles. Naquela noite isso fazia-lhe confusão, deixando-a distraída e ainda a assimilar que Sam não estava já ali atrás dela. Dakota tinha-se acostumado à sua presença.

- O que me dizes de dar-lhes um bocadinho do que querem?

A voz de Khris soou baixa e melódica ao seu ouvido. Dakota quase nem teve tempo de se virar para o entender melhor, já o actor se inclinava na sua direcção e ela não tinha para onde fugir.

O momento foi captado por tudo o quanto era câmara e acompanhado de aplausos e gritos histéricos. Selando o acordo que os agentes lhes tinham imposto, ali estava algo que ia correr as bocas de Hollywood. O beijo de Pearl e Johnson.

- Oh Meu Deus!!

Foi rápido e sem emoções floreadas. Tão depressa a beijou, como logo a seguir Khris já estava de sorriso para as câmaras. Desorientada, Dakota fez aquilo que melhor sabia: expôs a sua expressão neutra e tentou chegar o mais depressa que podia ao fim da passadeira vermelha. Por aquela noite já lhe chegava de flashes! Estava tão zangada com Khris, mas não era isso que a preocupava.

Rodou a cabeça e olhou por cima do ombro.

Sam não estava em lado nenhum que o visse.

 

 - Não acredito que eles se beijaram! Isto torna tudo oficial. Não se vai falar de outra coisa. Os rumores já eram muitos, de qualquer das maneiras mas… enfim, ela não se cansa, pois não? É aquele actorzeco, é o guarda-costas e sabe-se lá quem mais roda aquela rapariga.

- Podes calar essa boca nojenta?! - Furioso, ele agarrou-a pelo pescoço – Não voltes a falar assim da minha Pearl, ou eu juro que…

Ele não acabou de falar, não era preciso. Quem quer que o ouvisse sabia que a ameaça era real. Ele devia ser a única pessoa que não tolerava criticas a Pearl.

- Não acredito nisto! Ainda vais atrás dela?

- Vou, sim. E tu vais continuar a ajudar-me a fazê-lo. A Pearl vai ser minha, um dia não muito longe daqui. Ele apenas tem de entender. Não é aquele Levitt nem muito menos o Johnson que ela precisa, é de um homem como eu.

- E o que vais fazer? – Perguntou a outra pessoa a medo. Havia um laivo de loucura a raiar nos olhos dele quando lhe respondeu.

- Vamos mandar-lhe mais um recado.

 

Sam revirou-se na cama pela milionésima vez naquela noite. Por muitos que fechasse os olhos e tentasse adormecer, não resultava. Só lhe ocorriam imagens daquele estupor com os lábios nos de Dakota. Não era, de todo, algo que lhe agradava.

Depois da cena toda, ele mantivera-se afastado e, sobretudo silencioso. O assunto não tinha nada a haver com ele. Nem com o seu trabalho. Era nisso que Samuel tinha de se focar.

- Deixa de ser uma menina, Levitt – Resmoneou contra a almofada.

Nisto passaram-se minutos que lhe pareceram horas. Acabou por se levantar e dirigir à cozinha. Ensonado, reparou no relógio que marcava quatro horas da manhã. Era mais do que tempo para estar a dormir.

Voltou para o seu quarto e deu uma vista de olhos pelos monitores de segurança. Por norma àquelas horas não registavam nada…

- … Mas que raios…

Ampliou a imagem e não acreditou naquilo que via. Saiu de imediato e dirigiu-se ao jardim. Já no exterior tornou a ver luz provinda da piscina e ouvir os batimentos da água. Alguém ligara todo o funcionamento que, por norma, à noite estava desligado.

- Dakota?

Submersa na grande piscina oval, ali estava ela. Não era mais do que uma mancha disforme através do reflexo da água.

Quando emergiu, Sam teve que se controlar.

O cabelo molhado emoldurava-lhe o rosto perfeito. Os lábios vermelhos sobressaíam e os olhos verdes, quase esmeralda reluziam num brilho divertido. Ele não conseguia desviar o olhar.

- Oh Sam, estás aqui – Ela sorriu-lhe e Sam sentiu-se derreter. Nunca antes ela lhe parecera mais bonita. – Chegaste em boa hora.

O olhar dela? Intenso, feroz, sedutor.

Naquele preciso momento Samuel Levitt não sabia se podia resistir à pessoa que lhe estava mais proibida. Diabos o levasse, Dakota Reed era um pecado que ele estava prestes a cometer.

 

Amaram este fim? Porque eu sim e o próximo capitulo (que ainda não está escrito -.- ) vai ser uma continuação deste. O que é que estão à espera que aconteça?!

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publicado às 17:05

Sacha Hart
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7 comentários

De Joanna a 22.11.2014 às 17:27

omgg este capítulo foi simplesmente wow
a família do sam e ele com a família são tão awww e o que ele está a fazer pela mãe é a coisa mais fofa de sempre
e omg aquela parte da conversa entre o stalker dela e não sei quem o.o omg fiquei super curiosa para saber mais sobre isso
e este fim!! opa este fim! mal posso esperar pelo próximo para saber o que é que vai acontecer!!!!
estou a amar esta história (sim ahah eu digo outra vez) a tua maneira de escrever é muito boa e as tuas ideias também!

De twilight_pr a 22.11.2014 às 18:10

OMG OMG OMG OMG OMG!
ARGH EU NEM ACREDITO QUE O OUTRO A BEIJOU! EU QUERIA QUE FOSSE O SAM! TIPO ERA AHHH!
AI TADINHO DELE! TADINHA DA MÃE DELE! T_T!
Adorei simplesmente amei o capítulo e este final omg! Isto é que é um pecado! Terminar desta forma!

De andyjopanda a 23.11.2014 às 00:09

Adorei mais uma vez, uh o sam está a ficar com ciúmes da Dakota, adorei essa cena e ela é muito querida com ele, assim como ele com a sua família, eu quero já o próximo para saber o que acontece com eles os dois.
Olha e já publiquei mais um capítulo da minha fic. Bjs

De electra kerry a 23.11.2014 às 17:56

Coitado do Sam, espero que consiga levar a mãe a Paris.
Estou para ver como ele vai conseguir resistir à Koda
Mais mais
Beijinhooo*

De • Smartie a 23.11.2014 às 19:49

Ohh, coitada da mãe do Sam :( Espero mesmo que a consigam levar até Paris para fazer o tratamento experimental!
A Dakota foi tão querida para o Sam *-* Gostei muito do facto de ele ter desabafado com ela e do abraço deles em seguida :3
Argh, não acredito que aquele Khris a foi beijar -.- Sacana, não gosto dele xD E coitado do Sam, bahhh ._.
Omg, como acabou este capítulo +.+ Mal posso esperar pelo próximo, mais mais mais! :D
Beijinhoos*

De francis marie a 27.11.2014 às 00:31

Eu sinceramente amei completamente este capítulo a cena da família do Sam e a Dakota a abraça-lo foi tão awww, o Sam com ciumes nem se fala, eu adoro-o ahah, o beijo foi.. ew, e este final matou-me por completo.
Acho que para este capítulo ficar ainda mais perfeito só faltava a continuação da ultima parte u.u
Amei muitoo <3

De Sara a 30.11.2014 às 14:29

lindo, espero que postes rápido!
estou a amar esta história :)

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