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Capítulo 13 {Her Bodyguard}

por sacha hart, em 23.03.15

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Em Hollywood, a carpete vermelha é pisada por deuses. Os seres humanos mais venerados na Terra posam, sorriem, acenam por vezes. Existe sempre uma quantidade obscena de pedido no ar, gritos histéricos e lágrimas dos mais fanáticos, para quem ver de perto o seu ídolo é o mais perto que chegarão de alcançar o Olimpo.

A comparação era exagerada e Sam sabia-o. Contudo fez-lhe sentido, pois Dakota era, de facto, uma deusa. Esbelta e elegante num vestido de veludo vermelho, ela lembrava-o ambrósia, o néctar dos deuses – completamente fora do alcance dos súbditos humanos. Sentia-se assim quanto a ela também. Inalcançável. Inacessível. O lugar dela era entre as outras celebridades. O dele? Nas sombras, como o de tantos outros guarda-costas. Não coexistiam ambos no mesmo plano fotográfico, pois não?

- PEAAAAAAARL! – Ouviu alguém gritar sonoramente.

Os rápidos reflexos de Sam levaram-no a detetar o rapaz que saltou as barreiras de protecção. Num minuto o rapaz corria para alcançar a cantora. Não teve sequer hipótese de se aproximar. Sam, uns trinta centímetros mais altos, e mais robusto, bloqueou-o de tal forma que o fã caiu no chão.

As exclamações vieram de toda à parte. Os flashes também.

Dois seguranças mais surgiram, mas foi Sam quem levantou o fã e o fez afastar-se ali, levando-o até ao fim da carpete e fazendo-o entrar na sala de segurança.

Não passava de um miúdo de dezasseis anos, talvez – percebeu então Sam. Tinha lágrimas prestes a derramar e um olhar aterrado cravado em Sam.

- eu só queria… foto… eu adoro a Pearl…eu…eu…eu dizer que a adoro.. – O rapaz balbuciava sem que os seguranças ali presentes o entendessem. Na verdade, estava apenas a tentar desculpar-se e justificar-se. Não queria sarilhos.

- É proibido passar a barreira, miúdo – repreendeu Sam num tom áspero – Se a tivesses magoado ia…

Ia o quê? Percebia agora que tinha perdido as estribeiras. O pobre miúdo provavelmente estava magoado. Ia ficar com hematomas feios depois daquela queda.

- Por favor, deixem-me ir. Eu não quis fazer nada de mal… - O olhar desolado do miúdo perturbou Sam, até que de repente o mesmo par de olhos se arregalou em surpresa e devoção.

- Estás bem?

Dakota estava ali e não se dirigia a Sam. O rapaz estava em tal estado de choque que não conseguia falar.

A cantora forçou-se a não desviar o olhar uma única vez que fosse para o seu guarda-costas. – Saiam. Saiam todos.

- Não podem ficar aqui sozinhos…

Dakota cortou a frase a Sam – Podemos e ficaremos. Todos na rua. Agora.

Os guarda-costas saíram, sabendo que não podiam ignorar uma ordem direta da cliente. Sam foi o último a sair. A situação não lhe agradava minimamente, embora estivesse certo de que o rapaz não faria nada contra Pearl – Dakota, para ele. O seu desagradado pendia-se no tom dela - frio como nunca ouvira – e no facto de ter agido como se Sam não estivesse naquela sala. A indiferença dela era um golpe para o guarda-costas.

Quando por fim a porta da sala se abriu e os dois saíram, o miúdo vinha radiante. Já Dakota trocou um breve olhar com o guarda-costas. “Falamos mais tarde” era o que significava. Sam desconfiava que não ia ser uma boa conversa.

 

 

A semana estava a ser um inferno. Aguentara o evento até ao fim, apesar do contratempo na passadeira vermelha. Chegada a casa, já perto das duas da madrugada, tudo o que Dakota queria era deitar-se na cama e relaxar.

Mas havia algo que precisava de fazer. Algo em que matutara a noite inteira.

Sam estava atrás de si. Sabia-o. Sentia o cheiro dele, um forte odor a homem e a colónia suave. Reconhecê-lo-ia em qualquer altura.

- Estás a passar dos limites, Levitt.

Ela voltara a trata-lo pelo último nome. Desde a intrusão que Sam agia como se não gostasse dela. Como se nunca tivessem partilhado algo especial. A ferida magoava-a todos os dias quando esperava um sinal da parte dele. Um beijo, um abraço, ou mesmo um simples olhar que a fizessem inflamar e correr para os braços dele. Mas nada. Dakota não ia ser quem cederia. Era demasiado orgulhosa para isso.

- Era uma situação de risco. Eu fiz o que manda o dever.

- E bloqueaste daquela maneira o rapaz? És o dobro do seu tamanho! – Resmungou, zangada. - Ele não me ia fazer nada.

-Ele não, mas e se fosse outro?

Ah, mas resumia-se a isso, não era? Pensou Dakota. Sam estava obcecado em encontrar o seu perseguidor. Obcecar alguém obsessivo não era uma boa mistura. Esse pedaço de lixo humano estava a arruinar-lhe tudo! Primeira tirara-lhe o descaso, depois a privacidade e agora estava a levar-lhe o homem que amava!

- Mas não era. Não podes agir como um SWAT sempre que alguém se aproxima de mim.  - O olhar dele desafiava isso. Do género, “posso e fá-lo-ei”. – Pára com esta merda de te armares em Kevin Costner. Estás a sufocar-me.

- É para teu bem.

Dakota riu-se.

Depois começou a chorar.

Quando Sam a tentou abraçar, ela recuou. Fitou-o com incompreensão – Este não és tu, Sam. Estás volátil e obcecado. – Ele quis interrompê-la, mas ela não deixou. – Não quero saber de nada. Não vou tolerar isto. Se não o fazes por mim, faz pela tua família. Recompõe-te, Sam.

Sem dizer mais nada, a morena abandonou a sala, deixando o homem que amava para trás. Ela nada por dia fazer para o recuperar. Cabia a Sam decidir se tudo aquilo valia a pena – sacrificar o bom que eles os dois tinham por uma perseguição que estava arruinar isso.

 

Na manhã seguinte, Dakota recebeu a visita de George Reed. Só que o seu pai não vinha sozinho. Junto, vinha o manager de Dakota, o manager de Khris Johnson e um produtor cinematográfico.

O pequeno-almoço incluiu croissants, chá inglês e um contrato.

- Querem que eu seja a protagonista feminina?

- Claro que sim. O papel é teu, se aceitares.

O olhar da cantora demorou-se no produtor, depois no pai. Ambos pareciam certos que ela aceitaria. O manager de Khris fazia figas. Como seria o golpe publicitário se ela dissesse sim!

- É o que queres há muito tempo, filha. Já tínhamos falado nisto. Esta é a melhor oportunidade para entrares na indústria do cinema. Relançarás a tua carreira por todo o mundo!

Dakota quis dizer que era o pai que queria aquilo. Era o pai que tinha falado daquilo sem a deixar falar. Esta era a oportunidade dele de controlar a carreira dela, como sempre tinha feito.

Pouco tempo depois a campainha da mansão tocou. Khris Johnson apareceu na salinha onde os outros estavam a comer o pequeno-almoço.

- Aqui está o nosso protagonista!

De cabelos revoltos e um olhar brilhante, Khris acenou e piscou o olho aos presentes. Ficava irresistível quando o fazia. Dakota não diria que não. As roupas dele davam-lhe um olhar descontraído, mas sexy. Khris Johnson provavelmente nunca deixava de ser um galã, nem mesmo numa segunda-feira de manhã.

Pareceu à morena que a presença de Khris apenas servia para a pressionar a aceitar o papel. Continuaram a conversar, ou melhor, a negociar. O fim do pequeno-almoço estava para breve e com ele a necessidade de uma resposta.

- Desculpem, vou ausentar-me uns minutos. Já volto.

Saiu da salinha discretamente, embora os olhares estivessem todos pousados nela. Dali seguiu para as portas envidradas que davam acesso ao jardim. A verdade é que fora para ali na esperança de encontrar Sam, mas ele não estava lá.

Dakota pôs-se a pensar no que devia saber. Que mal faria dizer “sim”? Fazia a vontade a todos dessa maneira. Ao pai, ao manager, a Khris, ao produtor, aos tablóides, aos fãs. Mas qual era a vontade dela? Nenhuma. Ultimamente, a sua cabeça não estava focada na carreira, mas antes dispersa nos seus problemas pessoais. Melhor dizendo, em Sam. Preferiria passar a maior parte do seu dia com ele, e não com o galã de Hollywood, que seria o que aconteceria se aceitasse o papel.

Mas Sam já nem queria saber, pois não?

Frustrada, Dakota regressou para a salinha onde deixara quatro homens impacientes. Utilizou os seus naturais dotes de actriz para fingir um ar feliz e determinado.

- Contem comigo.

 

 

George Reed acabava de sair da mansão da querida filha. O sorriso no rosto do homem não deixava margem para dúvidas. Algo de excelente acontecera ao empresário, pois tal expressão num homem rico como aquele significava sempre mais dinheiro. Mais sucesso. Satisfação. Samuel reconhecera imensas vezes este sorriso ao longo da sua carreira.

- Levitt, como está? Vejo que anda a tratar bem da minha pérola. Vi a reportagem sobre como placou aquele rapaz. Fez muito bem, sabe? Não quero gente assim com as mãos na minha filha.

Gente assim, pensou Sam, é quem dá sucesso à sua filha.

- Estou muito satisfeito com o seu trabalho. Aliás, vou ligar hoje mesmo à querida Christa e fazê-la saber disso. Com o novo projecto da Dakota, vai ser preciso ainda mais cuidados. Hollywood vai ficar louco!

Samuel quis perguntar-lhe do que se tratava, mas não ousou. Não queria ouvir nada da boca de George Reed. O empresário distraiu-se com uma chamada no telemóvel e continuou o seu caminho sem sequer acenar em despedida. Pouco importado, o guarda-costas entrou dentro da mansão depois de se ter ausentado por uma hora no ginásio.

O seu primeiro instinto foi ir à procura de Dakota, mas recuou. Ouviu vozes vindas da sala, por isso achou melhor não agir que nem um intruso e entrar, fingindo que não dera conta. Muitos guarda-costas não tinham essa intimidade com os clientes. Sam, em teoria, também não deveria ter.

Chegou até ao quarto por outro caminho. Aí tomou banho num ápice e vestiu algo completamente preto e discreto. Não era como se tivesse opção, pois no seu armário tudo era preto e discreto.

Nem quinze minutos se tinham passado. As vozes permaneciam na sala, percebeu Sam depois de passar perto da porta. A curiosidade – e os ciúmes também – fizeram-no entreabrir a mesma e espreitar. A visão não lhe agradou nem um pouco…

 

porquê que Khris tinha sempre de se aproximar tanto? Ou porquê que tinha um sorriso encantador?

Dakota não conseguia descortinar nenhuma resposta. Não era imune ao charme dele, pelo que a proximidade lhe estava a afetar um pouco o pensamento.

- Hum? – Questionou, distraída das perguntas que ele lhe fazia.

- Mundo chamada Dakota. Em que é que estás a pensar, Reed?

Embaraçada, serviu-se de um sorrisinho para encolher os ombros. Mau movimento, porém. Khris pareceu achar piada e apenas se aproximou mais. Sem que antes Dakota pudesse fazer alguma coisa, ele já pousava a mão na perna dela. E o olhar dele? Cuidado, uma voz interior avisou a cantora.

- O que me dizes? Tu e eu. Jantar. No Ritz. Esta noite. Vamos celebrar.

O convite demorou algum tempo a ser assimilado pela morena. Especialmente quando parecia que Khris estava prestes a saltar-lhe para cima e beijá-la. Ela parou-o a tempo. – Talvez outra noite, Khris – Disse, e quando o fez deu-se conta do olhar intruso do outro lado da porta. A presença oculta de Sam fê-la afastar-se de imediato do actor.

- Entendo…

Mas na verdade Khris não entendia nada. Despediu-se de Dakota com um beijo sedutor na bochecha e partiu, ainda carregando aquele sorriso galã pelo qual era conhecido. Quando finalmente se viu sozinha, Dakota esgueirou-se até aos quartos do fundo.

Até ao quarto dele.

Bateu à porta. Uma. Duas. Três vezes.

Ninguém abriu.

 

Demorou, mas chegou! Não estou muito satisfeita com o rumo que o capítulo levou, mas espero recompensar-vos com drama e sensualidade no próximo ^^

Desculpem-me pela demora. Esta história está a ser dificil de escrever. São tantas as ideias que entram em conflito. A minha inspiração apra escrever também tem sido nula. Mas aqui está o 13º capítulo e espero que tenham gostado.

Desde já, assinalo as queridas leitoras que têm acompanhado Her Bodyguard:  Sara ♡ ; Twi ; Smartie ;francis marie ;  Joanna;  maggie. ; andy mcdown; kaitlyn roode ;  Nessie ;   Liz ; Ynis ;

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11 comentários

De lostdreams a 23.03.2015 às 21:11

Eu já me perdi toda a ler esta tua história. Não me lembro em que capítulo ia (depois vou ver isso), mas vou continuar a lê-la pelo wattpad. Já a adicionei à minha lista de leituras e tudo.
Beijinhos

De sacha hart a 25.03.2015 às 15:42

Fico contente por sabê-lo, querida ^^

De twilight_pr a 23.03.2015 às 21:41

Adorei tanto este capítulo que eu nem aguento, foi tão bom! Foi super fantástico que eu nem sei! Adorei, foi fantástico! Perfeito aliás <3
Emoção e emoção!
Continuo aqui a morrer para saber quem é o perseguidor dela. Jesus! Eu preciso de saber :D
Beijinhos grandes!

De sacha hart a 25.03.2015 às 15:42

Ohhh ainda bem que gostaste Twi! ^^
Em demorará até saber quem é o perseguidor (para ser honesta, ainda nem eu delineei muito bem quem é). Beijinhos.

De • Smartie a 23.03.2015 às 22:05

O Sam passou-se um pouco com aquele fã, mas ele não podia saber se era mesmo alguém que lhe queria fazer mal ou não, não é? Só estava mesmo a tentar proteger a Dakota... :\
Aiaiaii, cheira-me que isto agora do filme não vai ser nada boa ideia ._.
Mais, mais :3
Beijinhos*

De sacha hart a 25.03.2015 às 15:43

É verdade, o Sam passou-se um bocadinho. É o stress.
Pois, não é lá grande ideia não, hahaha.
Em breve terás mais, espero eu. Vou tentar escrever o próximo depressa.
Beijinhos e obrigada por comentares ^^

De Ynis a 24.03.2015 às 13:47

Pois, pois, agora metes aí o meu nome. Devia mandar-te à merda, mas estou com preguiça.
Eu não sei o que é que andaste a fumar mas deve ter sido algo muito forte. Voltaste em altas! Erros ortográficos, trocas de tempo dos verbos, palavras que não deviam estar aí, etc..
Mas tirando isso, é bom capítulo. Só não gostei do facto de ela ter aceite o papel. Quer dizer, ela devia ter dito um não bem gordo e deixar toda a gente com uma cara de quem comeu e não gostou.

De Ynis a 25.03.2015 às 18:19

Se calhar na altura ainda nem tinha computador, que tal? E com estas coisas esquisitas que tu inventas como visual, não me é muito fácil fazê-lo pelo telemóvel. Além do mais, não tenho paciência ou até mesmo vontade de ser histérica só para dar a entender que o faço.
Os únicos erros que tens que corrigir são os ortográficos. G.G

De andyjopanda a 26.03.2015 às 00:04

Gostei muito! Ele está cheio de ciúmes, eu quero tanto que fiquem juntos e tou desejosa para saber quem esse tal perseguidor da Dakota :) Mal posso esperar pelo próximo. Bjs

De jules emerson. a 27.03.2015 às 16:34

Adorei o capitulo! Estou a gostar bastante de ler a história! :)
Não acho muito boa ideia ela aceitar fazer o filme, não gosto nada do Khris...
Espero que a Dakota e o Sam resolvam tudo rapidamente!
Beijinhos!

De Joanna a 11.04.2015 às 23:58

oh deus eu não fazia ideia que tinha um capítulo para ler à tanto tempo!!!!
opaaaa o sam está armado em mau com a dakota e é triste :c eles são lindinhos juntos e apesar de ter pena do miudinho aww o sam estava a protege-la
e eu gosto do khris e.e porque é o ian e.e mas não gosto que ele esteja sempre em cima da dakota!!! e ela foi bater à porta do sam omg omg espero que ele esteja lá e abra e eles façam as pazes e.e e.e
beijinhoos

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