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Capítulo 12 {Her Bodyguard}

por sacha hart, em 15.02.15

Sam ganhara toda uma nova perspectiva sobre os amanheceres. Antes, significavam levantar-se com o sol e preparar-se previamente para um dia de trabalho. Agora eram das partes mais bonitas do seu dia. Eram a única altura em que ele e Dakota encontravam oportunidade para não se esconderem, embora permanecessem dentro do quarto. Ninguém os incomodaria àquela hora. Apenas eles os dois estavam na mansão.

Ele despertava lentamente à medida que o sol iluminava o quarto através das persianas. Ao abrir os olhos, recebia de imediato a mais bela visão que podia desejar. Dakota dormia profundamente, com uma expressão pacífica no rosto. Abraçava-o mesmo no sono e Sam dificilmente arranjava coragem para se ver livre do contacto maravilhoso dos corpos de ambos.

- Hum…

Não tinha sido intenção dela acordá-la. Sam brindou a morena com um sorriso assim que esta abriu os olhos e o encarou ainda sonolenta.

- Que horas são? – Perguntou – Parece-me que ainda é muito cedo.

- Não é cedo. São apenas sete e um quarto.

- E isso não é cedo? – Exclamou indignada e fechou novamente os olhos – Acorda-me quando forem horas decentes.

Sam apenas se riu e puxou-a um pouco mais contra si – Não sejas dorminhoca, Koda. Desperta. Eu faço-nos um pequeno-almoço. Podemos ir correr. 

Demorou algum tempo até que uma resposta viesse por parte da cantora. Então ela suspirou, voltou a abrir os olhos e fitou o seu namorado (podia chamar-lhe isso, não podia?). Só ele para a arrancar do sono. Ergueu-se até conseguir atingir os lábios dele e poder beijá-lo.

- Bom-dia. – Disseram em uníssono pausando o beijo, para logo o retomarem.

- A este ritmo não vamos a lado nenhum.

Dakota riu-se e rolou na cama até alcançar a beira. O lençol deixou de a tapar, brindando assim Sam com alguma coisa para ver que lhe abrisse o apetite – Aceito o pequeno-almoço, Levitt, mas prefiro outro exercício a ir correr. Está frio lá fora.

Como se fizesse frio na Califórnia! Sam olhou-a deveras divertido. Aproximou-se da amante e levou uma mão ao queixo dela. Quando o olhar de ambos se cruzou, ambos tremeram. A ligação que tinham crescia da noite para o dia.

- Andas muito preguiçosas.

- E é por isso que te digo para ficarmos aqui. Temos cerca de uma hora até a Esmeralda chegar e depois – puff! – nada de tempo a sós. Vamos apenas continuar aqui, Sam. Não quero que este dia comece nunca… - Lamentou.

Sam também não gostava do secretismo. Abominava que, a partir do momento em que saíssem daquele quarto, teriam de agir como dois estranhos que trabalhavam juntos. Ele era apenas o guarda-costas e ela, Pearl. A relação dos dois era como se não existisse para o bem das profissões de ambos.

Em teoria era fácil, mas Sam odiava não poder beijá-la e tocá-la sempre que quisesse.

- Está bem, ficamos aqui.

Dakota expressou um ar vitorioso. Voltou a abraçar-se ao corpo de Sam. Pousou um pequeno beijo no ombro do mesmo, depois foi subindo para o pescoço até terminar nos lábios do guarda-costas. Contudo, Sam recuou à medida que ela o incentivava a continuar.

- Por muito que eu goste, Koda, quero aproveitar o tempo que temos de outra forma. Fala-me de ti. Quero conhecer-te melhor.

- Que tipo de coisas queres saber? Nasci no ZZZZ. Tenho dois irmãos que já conheceste. Vivi lá até aos dezoito anos…

Sam interrompeu-a. – Não quero que me contes aquilo que já sei a partir dos ficheiros. Nem aquilo que posso descobrir com uma pesquisa na internet. Conta-me como é ser-se Dakota.

 

Por momentos ela ficou sem saber o que lhe responder. Fazia já imenso tempo desde a última vez que alguém a quisera conhecer. Claro, tinha imensas entrevistas e muitas delas pediam detalhes da sua vida privada, mas de certa forma os jornalistas só queriam conhecer a faceta de Pearl, não Dakota, a rapariga sulista que muito antes de querer ser cantora, achara que ia ser veterinária.

Foi este tipo de coisas que contou a Sam. Ele também lhe foi falando da sua juventude dos primeiros anos de trabalho. Samuel era um homem fascinante, percebia ela, maravilhando-se com a sorte que tinha por o ter.

- Conta-me como sabes falar português. É apenas mais um dos teus talentos escondidos?

-Oxalá fosse um talento – Riu-se, encolhendo os ombros – Quando tinha mais ou menos oito anos, a minha mãe tinha uma amiga portuguesa. Eu adorava-a. Tratava-a por tia. Passava muito tempo com ela, sobretudo depois quando a minha mãe adoeceu e … - As memórias começaram a emergir, deixando-a emotiva – Pedi-lhe que me ensinasse. Soava-me tão bonito. Para além de que mais ninguém que eu conhecesse falava português. Ela foi-me ensinando e eu aprendi rápido.

- Então é mesmo um talento escondido.

- Talvez aqui nos Estados Unidos, sim. Não se encontra muita gente com quem possa praticar português. – Sorriu-lhe maliciosamente – Agora tenho um português na minha cama.

“Olha só a tua sorte…” Sam piscou-lhe o olho.

“ Deveras.”

 

Ele tinha a certeza de Pearl estar em casa. Entrara pela garagem e não havia um único carro em falta. Continuou até entrar na grande mansão. Tivera a precaução de tapar a cara. Sabia onde estavam as câmaras de vigilância, e como evitá-las, mas nunca era demasiado cuidado.

A sua vontade era subir as escadas. Caminhar até ao fim do corredor e abrir a porta do quarto dela. Como estaria Dakota? Ela uma vez fizera uma sessão fotográfica em robe. A imagem nunca lhe saía da cabeça. Quase o fez deitar tudo por água a baixo e revelar-se perante Pearl. Ficaria ela feliz por o ver? Afinal, era o seu fã número um. Não havia nada que não fizesse para a deixar feliz. Porque, no final de tudo, era isso que ele queria. Fazer de Pearl a mulher mais feliz do mundo, a sua mulher.

Por isso o guarda-costas tinha de sair do seu caminho.

A distracção dos seus pensamentos fê-lo tropeçar na mesinha de sala. O estrondo teria sido evitado caso a jarra central se mantivesse. Caída no chão, desfez-se em mil pedacinhos e o tilintar do vidro ecoou pela casa.

- Merda! – Vociferou, irritado consigo mesmo.

À pressa, deixou o embrulho que trouxera em cima da mesinha.

E então saiu de casa o mais depressa que podia.

 

Sam sobressaltou-se no exato momento em que ouviu ruídos vindos do piso de baixo. Agindo automaticamente, puxou das calças e vestiu-as apressadamente. Lá tinha a sua navalha, da qual nunca se separava por precaução.

- O que foi isto, Sam? Ninguém deveria estar em casa. A empregada está de folga.

- Fica aqui, Dakota – Foi tudo o que ele disse e saiu porta fora.

Desceu pelas escadas com a navalha firma na sua mão. As inúmeras possibilidades passava-lhe pela cabeça. Era um contra quantos? Ele tinha apenas uma navalha. E se outros tivessem armas? Podia estar em clara desvantagem, mas não quis saber. Quem quer que estivesse ali, não ia alcançar Dakota. Sam protegê-la-ia com a sua vida, se fosse preciso.

Encontrou a sala vazia mas deu imediato conta dos vestígios de transgressão. Milhares de pedaços de vidro espalhados pelo chão. Um embrulho suspeito em cima da mesa. Que raios? Ainda alerta, perscrutou as restantes divisões do piso e não encontrou ninguém. A porta de acesso à garagem estava aberta, dando-lhe ideia de por onde se tinha esgueirado o cabrão que se atrevera a entrar na casa de Dakota.

Sam quis sair porta fora e correr à procura do estupor. Tê-lo ia feito, não fosse o esgar abafado que ouviu atrás de si.

- Dakota, raios! Disse-te que ficasses no quarto.

Ela olhou-o sem o mínimo sentimento de arrependimento. Estava chocada e zangada. Deu um passo em frente, agachou-se e pegou num pedaço de vidro. – Sabemos quem fez isto.

O guarda-costas não queria pensar nisso, mas sabia que pensava na mesma pessoa que Dakota. O seu seguidor mais radical.

Quando a morena alcançou o embrulho, Sam praguejou e depressa lho tirou das mãos – Estás doida? Não vamos abrir isto.

- Vamos pois. – O tom dela era intransigente – Entraram na minha casa e deixaram isto. Tenho de abrir e ver o que é. Quero acabar com esta palhaçada!

Sam não queria, de todo, abrir aquele embrulho estando ela presente. Quem sabia o que estaria lá dentro? No entanto, conhecendo Dakota como conhecia, ela ia bater o pé até ver o conteúdo do embrulho.

- Está bem, mas afasta-te.

Ela assim o fez. Samuel pousou o embrulho em cima da mesa e foi lentamente removendo as camadas de papel. Estava alerta para o caso de alguma coisa surpresa acontecer.

- Despacha-te Levitt, estás a deixar-me nervosa.

Ele também estava nervoso e ela só tornava as coisas piores. Abriu por fim o embrulho. Dakota já estava em cima dele, olhando também. Foi ela quem se moveu primeiro e tirou o conteúdo.

- Isto é meu – Referia-se ao soutien rendado num tom aflito.

Sam retirou o restante e surpreendeu-se ao ver uma fota deles. Sam e Dakota encostados um ao outro, abraçados no varanda da mansão. Ela usava aquele mesmo soutien, que mais tarde Sam lhe tirara com devoção algures entre as escadas da mansão.

Dakota não se movia, demasiado atónica. A brutal invasão da sua privacidade dava-lhe vontade de vomitar.

- Ainda deixou um recado – Comentou Sam, secantemente. Leu o bilhete e se seguida amachucou-o.

A raiva consumiu-o. Queria matar o cabrão que pusera as mãos nos pertences da sua amada, que entrara por ali a dentro e lhe deixava aquilo. Quando o encontrasse, ia fazê-lo arrepender-se de tudo e fá-lo-ia pagar pelo olhar de medo e vergonha espelhado nos olhos de Dakota naquele momento.

  – Tenho de ver as gravações. Alguma câmara deve tê-lo captado.

Se assim fosse, era o seu dia de sorte. Talvez o cabrão se tivesse descuidado e mostrado o rosto. Não olhando para trás nem dizendo mais nada a Dakota, Sam saiu disparado, só tendo em mente vingança.

 

O dia começara da melhor maneira. Nada fazia prever o merdoso seguimento que acabou por ter. O pior de tudo não fora o intruso em sua casa, nem os questionários da polícia, nem mesmo os milhares de telefonemas do pai sobressaltado. O afastamento de Sam é que lhe estragara a disposição.

Entendera que ele se dedicasse a prestar apoio aos investigadores da polícia e depois a coordenar toda a nova táctica de segurança para a sua casa. Contudo, assim que anoitecera e a casa estava novamente tranquila, Dakota esperara que Sam emergisse daquele seu irritante modo de se fechar e agir apenas e somente como seu guarda-costas.

Neste momento, ela não precisava de um guarda-costas que lhe dissesse que nada daquilo voltaria a acontecer. Necessitava do abraço do seu amante, que ele a tranquilizasse depois de um dia enervante. Sam fazia exactamente o oposto.

Bateu à porta do quarto dele. Não obtendo resposta, entrou. Encontrou-o debruçado sobre os ecrãs, revendo minuciosamente cada minuto de cada gravação de vídeo. O rosto de Sam dizia-lhe que ele estava frustrado, muito frustrado.

- Se continuares assim, vais precisar de óculos. – Foi como se ele não a ouvisse – Samuel!

- Jezz… Dakota. – O olhar dele finalmente desviou-se dos ecrãs. Ele massajou as têmporas como se isso aligeirasse as dores de cabeça que sentia. – Tenho de continuar a ver isto.

- Uma ova é que tens! – Em duas passadas largas, Dakota alcançou a tomada eléctrica. Antes que Sam a pudesse parar, já os computadores se tinham ido a baixo.- A polícia tem estas gravações. Eles fazem o seu trabalho.

- Não, Dakota – Corrigiu-a Sam – É o meu trabalho. Meu. Tal como era meu trabalho não deixar que ninguém entrasse nesta casa sem autorização. Tal como é meu trabalho proteger-te. Hoje falhei.

Sam falava com uma convicção que a assustava. Ele sentia mesmo que lhe tinha falhado?

- Não podias ter feito nada… - Tentou pousar as suas mãos no peito dele mas Sam afastou-a antes disso.

- Se estivesse aqui, teria estado acordado. Teria visto as câmaras. Teria-o apanhado na sala.

- Não podes estar em todo o lado ao mesmo tempo, Sam.

- Pois não – Culpou-se, cerrando os dentes – Devia ter estado aqui, que é o meu lugar. Não na tua cama.

A acusação não escapou aos ouvidos da Dakota. As palavras de Sam magoaram-na mais do que qualquer outra coisa que tivesse acontecido naquele odioso dia. Sem dizer mais nada, dirigiu-se para a porta, a qual fechou com um grande estrondo assim que saiu.

 

- Mas tu só fazes merda hoje?

Sam recriminou-se. Não só por aquilo mas com tudo. Cometera imensos erros. Embora não quisesse catalogar o seu envolvimento com Dakota nessa lista, neste momento tinha de o fazer.

Estivera tão absorvido nela e nos seus encantos que se descurara no seu trabalho. Ficara menos vigilante, menos atento e concentrado. Tinha falhado enquanto guarda-costas. Essa farpa no seu orgulho angustiava-o tanto quanto o enervava.

“ A foda com o teu lacaio fica-te mal, minha pérola. Não pertences a seu lado. Eu sirvo para ti. Não vou parar até que percebas isso. “

O gajo não ia parar. Pois, olha, Sam também não. Não ia parar enquanto Dakota não estivesse protegida deste lunático.

Se isso significasse o fim da sua relação com ela, então assim seria.

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13 comentários

De liz collingwood a 15.02.2015 às 22:58

ooooh também acompanho!!!!
quero ver o sai daqui sobre o gajo que entrou na casa!

parece que vou continuar aquela historia que escrevia...acho que consigo continua-la :)

De sacha hart a 17.02.2015 às 17:22

Oh, pois claro que sim! Lamento imenso não te ter mencionado, querida Liz!
Ui,ui...vai sair muita coisa, e mais não digo!

Ah, mas isso são excelentes noticias! Vou aproveitar para a reler do inicio e esperar pela continuação!

De Ynis a 15.02.2015 às 23:50

obrigado por me deixares ainda mais aziada
o Sam é um idiota, mas ao menos ainda tem uma causa digna para o ser
e bom, valeu a pena teres demorado tanto tempo a escrever o capítulo, até saiu qualquer coisa de jeito

De • Smartie a 15.02.2015 às 23:57

Yeeey, um capítulo novo *-* Estava mesmo com saudades, obrigada por me teres mencionado aí querida :D
Ora bem, eu gostei muito :3 As coisas estavam a correr tão bem entre a Dakota e o Sam, mas depois algo tinha que vir estragar o ambiente todo ._. O stalker dela é mesmo sinistro, credo...espero bem que o apanhem rapidamente >( E não quero que eles se desentendam...eu compreendo o lado do Sam, mas ele podia ter sido um pouco mais cuidadoso com ela ;_; A ver vamos o que vai acontecer a seguir!
Mais, mais :)
Beijinhos*

De sacha hart a 17.02.2015 às 17:38


Realmente, estava tudo a correr tão bem, mas tudo o que é bom acaba depressa, ou assim diz o ditado.
Obrigada por leres e comentares, Nexaa :)
Beijinhos

De twilight_pr a 16.02.2015 às 22:23

Gostei tanto, omg, já tinha tantas saudades *-*

De sacha hart a 17.02.2015 às 17:38

Que bom saber, Twi! ^^

De twilight_pr a 18.02.2015 às 19:19

Estou super ansiosa para ler mais, porque a sério estava mesmo cheia de saudades :)

De andyjopanda a 17.02.2015 às 16:41

Oh, está de volta, yes! Adorei como sempre! O Sam está armado em parvo, qual seria o melhor sítio para ele a proteger? Na sua cama, ao seu lado, dah! Quero mais, tou ansiosa pelo próximo :) Bjs
P.s. Não sei se tens lido as minhas fics ou não, como não tens comentado, era só para dizer que já publiquei mais capítulos de ambos, espero que continues a ler.

De sacha hart a 17.02.2015 às 17:46

Pelos vistos, o Sam não vê dessa maneira, mas sim que falhou para com a Dakota. Homens, vá-se lá entender! Obrigada por teres lido (:
- Vou seguir a ler, vou pois! Não li nada de nada nas últimas semanas mas vou actualizar-me, promise.

De Sara a 20.02.2015 às 20:18

Ainda bem que ultrapassaste esse bloqueio, já tinha saudades :)

De jules emerson. a 01.03.2015 às 12:22

Adorei este capitulo! Desculpa não ter vindo ler mais cedo, tenho andado com pouco tempo para vir aos blogs...
Estou curiosa para ler o próximo, fico à espera!
Beijinhos!

De Joanna a 05.03.2015 às 18:58

aii eu já me tinha dado conta do capítulo mas não estava em casa então nunca mais me lembrei -.-
opaaaaaa o sam e a dakota são tão adoráveis e que medo, o stalker dela entrou lá em casa m-e-d-o
o sam foi um bocado parvo e.e e.e mas percebe-se e.e ele está preocupado com ela e a verdade é que foi mesmo por ele estar com ela que não fez o trabalho dele e não o apanhou.... mas ao menos estava a ver boas vistas ê.ê
ainda bem que voltaste a postar ^^ mal posso esperar por mais ^^

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