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Capitulo 6 {Moving On}

por sacha hart, em 03.10.13

Era quase meio-dia e meio quando Kathryn entrou na sua hora de almoço. Tirou o avental com qual trabalhava e saiu da florista, trocando de turno com a colega. Ajeitou a roupa e caminhou até ao Laney’s, que ficava apenas a dois quarteirões do seu local de trabalho.

Dúvidas assaltaram-na pelo caminho. Devo mesmo ir ter com ele? A cabeça dizia-lhe que sim, precisava das respostas. Já o coração era uma história diferente. Apesar de magoada, parecia eufórica por o ver novamente. Definitivamente, não era isso que Kathryn queria sentir.

A porta do Layney’s chiou. Aquele era capaz de ser o seu café favorito em toda a cidade e estava receosa por se ir encontrar ali com Ben. E lá estava ele, sentado na mesa do canto – aquela que era o seu lugar habitual.

A morena respirou fundo e caminhou até ele.


Ben

 

Parte de mim estava nervoso. E se ela não viesse? Significava que não tinha a menor chance? Ou que deveria ir atrás dela uma vez mais? Caramba, como odiava esta apreensão.

Olhei para o relógio uma vez mais. Já estava ali há quase quarenta minutos e nada. Mesmo assim estava decidido a esperar quantas horas fossem preciso.

De repente, Kathryn apareceu no meu campo de visão. Estava encantadora com umas justas jeans claras e uma blusa vermelha que fazia sobressair a cor da sua pele. Vi-me subitamente a sorrir e a esquecer os nervos.

Sentou-se silenciosamente à minha frente. Demorou algum tempo até me fitar novamente. Estava estampado no olhar dela que ainda era um choque estar ao pé de mim, como se ainda se indagasse se era tudo real ou não.

À minha maneira, sentia o mesmo em relação a ela.

- Olá Kathryn.

- Ben…

Fiz sinal à empregada de mesa para que viesse até nós. Depois de cumprimentar Kathryn, entregou-nos um cardápio a cada um. Quando se afastou, esperei que Kathryn lê-se e escolhesse alguma coisa.

- Vim aqui para falar. Aliás, para tu falares. Não vou perder tempo com comida.

- Que idiotice. Estás na tua pausa para almoço, é claro que vais comer. – Antes que ela pudesse ripostar, avancei com o pedido para a empregada – São duas sanduiches à moda da casa. A dela é sem tomate, ela não gosta disso. Para beber traga-nos duas cervejas. Obrigado.

Kathryn estava visivelmente irritada. Mas pelo menos não retirou o pedido.

- Achas que podes chegar e agir como se não tivesses estado afastado durante dezasseis anos? Eu mudei – o tom dela enfatizou a mudança – Estás a agir como se me conhecesses bem. Se calhar até gosto de tomates agora.

- Já vi que mudaste. Vejo-o com os meus próprios olhos. Gostas? - O facto de eu ter soado calmo irritou-a ainda mais.

- Gosto?

- Dos tomates?

- Não. – Respondeu agressivamente.

Por dentro estava a sorrir triunfalmente. Sim, ela mudara mas ainda tinha muitas semelhanças com a rapariga que eu conhecera e por quem me apaixonara. A única diferença era que agora ela era uma mulher, e não uma jovem adolescente.

- Ben, vim aqui como me pediste. É altura de falares. Podes começar por me dizeres o que raios aconteceu depois de saíres de Madison.

A postura dela alterou-se. Ficou mais rígida e frontal. Percebi que não era tempo para adiar mais conversas. Chegara a altura de falar.

- Fui para Melbourne, na Austrália. O meu pai ouviu falar de um tratamento experimental. Já sabes como eles eram, não acreditaram que só tivesse algumas semanas de vida – A minha voz soava normal e tranquilo porém estava com os dedos das mãos a tremelicar. – Não queria fazer o tratamento e passar as últimas semanas da minha vida no hospital. Mesmo assim os meus pais meteram-me na clinica. Eu de qualquer das maneiras não tinha nada a perder – Naquela altura já pouco me importava se estava morto ou vivo. Tinha deixado a minha miúda para trás. Nada mais me importara.

Kathryn fitava-me. Tinha os olhos de uma mulher, com radiantes íris esverdeadas, pestanas densas e sobrancelhas delicadamente arqueadas. Naquele olhar habitava compaixão mas também uma mágoa imensa.

- Só tu desististe de ti próprio, Ben.

Ela culpava-me por isso. Talvez tivesse razão. Eu desistira de mim próprio naquela altura.

- Desisti. E demorou algum tempo até lutar novamente contra o cancro. Os três meses que me tinham dado prolongaram-se por um ano que passei inteiramente hospitalizado – Por momentos a minha voz retraiu-se ao recordar o passado negro. Os tratamentos, as dores, os comas… Fora tudo um pesadelo que durara demasiado tempo. – Quando tudo acabou nem quis acreditar. Nem os meus pais nem ninguém. Mas eu estava vivo e o cancro desaparecera.

Fiz uma pausa para me recompor. Fiquei agradecido quando a empregada trouxe as cervejas. Bebi de imediato um trago da minha.

- Venceste o cancro.

- Sim, venci. Até hoje não voltou a aparecer.

Observei a forma de como Kathryn desviou o olhar e limpou discretamente o canto dos olhos. Quando me voltou a fitar, estes não transpareciam uma única emoção. Nada.

- Estavas vivo e nem sequer avisaste. Porquê Ben? Já não querias saber disto, da vida que tinhas deixado em Madison?

- Nada disso, Kathryn!

Que podia eu dizer? Que tivera medo de a contactar, medo que o cancro voltasse e destruísse o que restava de mim? Que durante os dois anos seguintes vivi entre casa e o hospital, sempre a fazer testes e análises, que vivia com medo de ser sugado de volta para o inferno que fora a batalha contra a maldita doença? Por isso não lhe dissera nada, apesar de durante todo aquele tempo morrer de saudades dela.

- Enviei uma carta para aqui, há uns anos atrás.

Ela mordia o lábio inferior, contendo-se para não mostrar mais do que uma faceta fria e reservada. Mas eu sabia que por dentro ela estava prestes a desabar e o culpado era eu.

- Porque voltaste, Ben?

- Voltei por ti.

Surpresa passou-lhe no olhar. Porém depressa se desvaneceu e deu lugar à fúria.

- Então podes regressar para onde quer que tenhas vindo. Esperei muito tempo por ti. Agora vieste tarde de mais.

Levantou-se bruscamente e agarrou na sanduiche acabada de chegar. Mal tive tempo de assimilar as suas palavras. Ela já se tinha ido embora. 

 

 

Kathryn bateu a porta com força assim que chegou a casa. Nem as três horas no trabalho a acalmaram.

- Tem cuidadinho com a porta, sim? – Zombou uma figura feminina, acabada de aparecer na sala de estar.

- Que te importa a ti? Raramente estás em casa.

Em qualquer outro dia, a morena teria ignorado a irmã. Mas estava furiosa por Ben, furiosa consigo mesma e também furiosa com irmã que não aparecia em casa há quatro dias.

Observou o estado de Ellie. Ela estava com ar de quem não dormia há mais de um dia. Trajava, como sempre, algo que mal lhe tapava o corpo. Tinha marcas no pescoço e certamente não seria apenas ali que as tinha, pensou Kat. Para além disso tresandava a álcool. Era o normal para Ellie e Kathryn estava francamente irritada com as atitudes dela.

- Que bela maneira de dizeres olá. – Respondeu secantemente. – Porquê esse mau humor todo?

- O Ben está vivo e em Madison.

- Oh querida, tens de ser mais específica. Conheço muitos Bens.

- Ben Lawrence. Era meu namorado no liceu.

Ellie endireitou-se. Relembrou-se imediatamente do rosto girinho do rapaz. Ficou algo ansiosa mas a irmã nem se apercebeu, tal era o estado em que estava.

- Parece que te enganou, não foi querida? Andaste a chorar por ele durante imenso tempo e agora isto… - Ellie nem se deu ao trabalho de esconder o divertimento. Adorou a forma de como a irmã cerrou os dentes para depois cair em lágrimas. – Nunca tiveste jeito para escolher homens, Kathy.

A morena arranjou ainda um pedaço de orgulho para lhe responder – Vai à merda Ellie. Pelo menos não pareço uma prostituta de terceira classe que roda todos – Saiu disparada para o quarto.

E Ellie ficou a rir-se, deliciada com a dor da irmã. 

 

Aqui está mais um capitulo. A partir daqui as coisas vão começar a desenrolar-se!

Agora aviso que o próximo capitulo volta apenas quarta-feira, porque este fim-de-semana vou postar uma oneshot.

Kiss

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7 comentários

De Ynis a 03.10.2013 às 21:40

gostei da Ellie.. -sqn
a Kath devia-se acalmar.. o ben até pode ser feioso, mas eu no lugar dela, já lhe tinha saltado em cima xD'D

De marie-claire a 03.10.2013 às 22:19

Adorei, será que a Kat recebeu a carta, hum... Esta Ellie ainda vai dar problemas.

De • Smartie a 03.10.2013 às 22:34

Eu até consigo perceber a situação do Ben, e se ele lhe escreveu uma carta então isso muda tudo...de certeza que alguém impediu que a Kat a visse, alguém como a irmã u.u E ainda agora apareceu, mas já fiquei mesmo a detestar a Ellie...que desagradável -.-
Mais :33
Beijinhos*

De twilight_pr a 03.10.2013 às 22:41

Adorei completamente, estou para ver mais sobre a irmã da Kathryn :) mal posso esperar para que as coisas continuem adorei!
simplesmente adorei, tu sabes como me agradar!
Beijinhos fofos <3

De Jessica Matthews a 04.10.2013 às 18:47

cada vez estou mais curiosa! ao menos a Kat foi ter com o Ben e não o deixou pendurado, o que até é um bom sinal.
oh adorei a Ellie, a sério que sim! *ironia*
fico à espera dessa one shot querida! :)
beijinhos*

De Cris a 04.10.2013 às 21:23

obrigada querida :)
já postei o capítulo 1, um pouco mais cedo que o previsto!
e tenho de passar aqui e ler os capítulos que tenho em atraso!!
beijinhos

De Silver Sky a 09.10.2013 às 10:54

gostei :)

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